Arquivo do blog

domingo, 2 de novembro de 2014

VINGANÇAS?


Há momentos em que estamos vivendo momentos bons, quando somos surpreendidos por acontecimentos que nos conduzem a um caminho escuro e solitário. Tais acontecimentos são provenientes, não raras vezes, de pessoas que estão muito próximas a nós. Atitudes desonestas que nos prejudicam, abalam nosso equilíbrio emocional e nos lançam a um desgosto perante a vida ao ponto de nos enxergamos inseridos no universo tenebroso de nossa mente; entretanto, independente do quanto nos sentimos injustiçados, lá fora, faz um lindo dia de sol para justos e injustos. Não convém ficarmos nesse estado de espírito carregando fardos dos outros nos ombros, haja vista que quanto mais pensarmos na criatura que nos prejudicou, mais distante encontraremos a saída a qual nos conduzirá à claridade de uma vida normal. Quando eu era adolescente, conheci uma velhinha chamada Sofia, Sofia significa 'sabedoria' e eu fui passar um mês na casinha onde ela morava. Eu a vi passar por situações que eu, no ímpeto da minha imaturidade, jamais aceitaria, tampouco me calaria diante de ofensas; na época, fiquei indignada, mas ela me explicava afavelmente a importância de viver os ensinamentos de Cristo, pois isso resultaria numa vida de paz, longevidade e harmonia. Por muito tempo, fui justamente o oposto dela, até cair muito doente, momentos em que pude fazer uma reflexão sobre o meu comportamento diante de injustiças e coisas que não aceitava. O que aprendi nessa fase, valeria anos de tratamento psicológico e uma das aprendizagens está contida no provérbio popular o qual afirma esta verdade: 'o mal por si se destrói'. Aliás, no que concerne às pessoas perversas, assim está escrito em Prv. 6:14:"...têm no coração o propósito de enganar; planejam sempre o mal e semeiam a discórdia." Por isso, é preciso sabermos em quem confiar. 


Portanto, passe por cima do que fizeram a você, pois tais pessoas estão preparando o próprio veneno para beber. Entregue esta pessoa a Deus e esqueça o mal praticado por essa pessoa. Não perca o sono e o tempo com isso, pois há uma mensagem bíblica que nos conforta:


Essa mensagem vai para uma pessoinha muito especial na minha vida. Lindo domingo a todos.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

CRENÇA E DESCRENÇA


As palavras acima foram escritas pelo profeta Isaías que teria vivido entre 765 a.C e 681 a.C o qual é considerado um dos maiores profetas bíblicos pela precisão dos fatos que previu. Ele foi o profeta messiânico por ter anunciado a vinda de Jesus a esta terra. Vejamos as profecias acerca de Jesus:

- A virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel que significa Deus Conosco.
- Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores e experimentado nos trabalhos. - Se abrirão os olhos dos cegos.
- Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi. 
- Designaram-lhe a sua sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte.
- Tragará a morte para sempre.

E foi ele, Isaías quem também disse: "Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra de Deus permanece eternamente." Notamos que o tempo vai passando, contudo a palavra de Deus resiste ao tempo, provando com isso, as palavras ditas por Jesus: "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." 

E por que há tanta incredulidade com relação a Deus? A resposta vem da Bíblia:
"... porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." (João 12:43)

Em outras palavras, reverenciam os filósofos, os cientistas, meros homens terrenos  os quais têm seu valor sim, mas jamais comparados com o resplendor e incomensurável bondade de Deus que tudo criou. Ao longo da nossa vida, temos a liberdade de escolha entre a crença e a descrença e é essa escolha que determinará para onde vamos quando se findar a vida terrena. O conselho que recebemos em vida é este:



Esta é a promessa de Jesus. Depois da morte, não haverá mais tempo de escolha, o tempo da salvação é agora, não perca tempo, pois amanhã poderá ser muito tarde. Bom dia!


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

INQUIETAÇÃO - O Vírus Ebola

Cá estou pensativa, aqui no meu cantinho, meditando sobre o que vem acontecendo na aldeia global. Com a força da tecnologia, diminuiu-se as distâncias e rapidinho entro em contato com o que se passa no mundo. Os conflitos vindos do Oriente preocupam, a miserabilidade em que se encontra a África comove, a violência no seio da família que chega a levar pais a assassinarem filhos e filhos  a assassinarem pais parece indicar que a humanidade caminha para o caos. Aliado a essas coisas medonhas, o desamor, a falta de valores morais e o desrespeito para com a vida humana é a marca do século XXI. E para completar a multiplicação da iniquidade, existem ainda dois itens que não passam despercebidos: as drogas e o aparecimento desse vírus mortal, o ebola, que por onde passa, vai deixando um lastro de morte. Estaremos nos aproximando do fim? Hoje 16/10/2014 comecei a pensar sobre isso. Mesmo com todo o avanço da ciência, os estudiosos não conseguiram descobrir o medicamento que eliminasse o vírus da AIDS e a solução para quem leva uma vida com variedades de parceiros é a prevenção. Entretanto, não temos nenhuma notícia auspiciosa com relação ao vírus, pois atualmente não existe qualquer tratamento aprovado para esse inimigo invisível.

As imagens abaixo falam por si:




Essa é a realidade, não dá para simplesmente querer viver alienada diante dessa doença que, se não for detida, poderá se tornar uma epidemia mundial. Há quem diga que o vírus é produto de laboratório para conter o aumento expressivo da população mundial. Não creio que essa suposição proceda visto que o vírus já está ultrapassando fronteiras, saindo de seu país de origem: a África. Hoje meditei no que está escrito na Bíblia no evangelho de Lucas que assim escreveu as palavras ditas por Jesus no cap. 21, 9-11:

"Quando ouvirem falar de guerras e rebeliões, não tenham medo. É necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não virá imediatamente. Então lhes disse: Nação "se levantará contra nação e reino contra reino. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares e acontecimentos terríveis e grandes sinais provenientes do céu."

Logo, tudo o que está acontecendo faz parte da profecia que Jesus nos deixou. Mas ainda não será o fim porque o dia e a hora do grande epílogo da história da humanidade somente Deus sabe. Todavia convém ficamos alerta ao conselho de Jesus:

"Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós inesperadamente. Porque ele virá sobre todos os que vivem na face de toda a terra." 
Lucas 21:34-35.


Abraços fraternos a quem veio visitar o blog. 


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Análise do conto Um Homem Célebre, de Machado de Assis


Um homem célebre é um dos dezesseis contos de Machado de Assis que faz parte da obra Várias Histórias, publicada em 1896. Como sempre, Machado vai nos apresentar o conflito interior vivenciado pelo personagem Pestana que queria muito ser uma celebridade de música à nível internacional de Mozart, Beethoven, Bach e Schumman. Para entender a história, veremos agora os aspectos principais da estrutura do conto:

FOCO NARRATIVO - é feito em terceira pessoa com a narração feita por um narrador onisciente, aquele que conhece a alma dos personagens:

"E aí voltavam-se as náuseas de si mesmo, o ódio a quem lhe pedia a nova polca da moda ..."

TEMPO CRONOLÓGICO -  1871 e 1885, entre a publicação da primeira polca de Pestana e  o falecimento dele:

"Pestana, quando compôs a primeira polca, em 1871, quis dar-lhe um título poético, escolheu este: Pingos de Sol."

"Assim foram passando os anos, até 1885."

O conto não segue a ordem cronológica, isto é, não apresenta inicialmente a história de Pestana, mas sim o ano em que o personagem está no auge do sucesso, 1875:

"... cinco de novembro de 1875 ... "

Essa é uma característica própria do estilo machadiano.

ESPAÇO GEOGRÁFICO - A casa de Pestana é o ambiente que prepondera no conto:

"Em casa respirou. Casa velha, escada velha, um preto velho que o servia e que veio saber se ele queria cear."

PERSONAGEM PRINCIPAL - Pestana
PERSONAGENS SECUNDÁRIOS - a esposa tísica Maria e o editor das músicas que Pestana compunha.

ENREDO 

No conto Um homem célebre, Machado de Assis narra a história de Pestana, um homem de sucesso, conhecido pela população por ser compositor de músicas dançantes de ritmos ligeiros cujo estilo é chamado de polca, pois tem origem polonesa. Apesar do sucesso e do reconhecimento público, que odeia, o personagem vive a frustração de não conseguir compor músicas antigas no estilo dos grandes artistas clássicos. O que vamos ler, no decorrer do conto, é o Pestana queimando a pestana para conseguir realizar o sonho de compor uma música extraordinária no estilo clássico e essa será a obsessão dele ao longo do conto. Não há referência à família do personagem, apenas sabe-se que ele recebeu a educação de um padre que gostava tanto de músicas sacras quanto de músicas profanas. Os fofoqueiros da época afirmavam que o padre era o pai do nosso personagem. 

COMENTÁRIOS - De início, percebemos a presença da ironia machadiana ao relatar sobre a possível paternidade de Pestana, pois se ele fosse realmente o filho do padre, herdou o dom de compor músicas profanas, como a polca que é um ritmo fácil de compor. Quanto ao tema, refere-se à frustração e o desejo ambicioso de se tornar reconhecido como um compositor clássico, não de músicas cujo sucesso fosse efêmero. A marca registrada do conto é a busca da perfeição de Pestana e essa busca vai culminar sempre num drama pessoal porque nenhuma das tentativas que faz irá produzir o efeito esperado por ele visto que só consegue criar as polcas que tanto detesta. Outro detalhe a ser destacado é que Pestana fez todas as tentativas para realizar essa vontade de ser um compositor imortal, chegando a casar com a Maria, cantora e doente na esperança de conseguir inspiração para compor saindo do celibato. Mas não adiantou, vendo que não conseguia, chegou a tentar um suicídio o qual não foi levado a cabo por causa de um guarda que o impediu de se deitar à espera do trem que passaria logo. Por fim, chega a hora da morte e aqui temos mais um comentário irônico de Machado: "... expirou na madrugada seguinte, às quatro horas e cinco minutos, bem com os homens e mal consigo mesmo." E eu, que li o conto, fiquei pensando na ojeriza que Pestana sentia diante do dom que tinha para compor sucessos populares inocentes, enquanto atualmente a maioria dos sucessos do momento maculam a música popular brasileira

Boa noite. Beijos


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Recordações


A brisa da madrugada, 
refresca e acalma minh'alma
levando-me a um tempo
que não voltará jamais.
O tempo em que eu usava tranças
nos longos cabelos compridos
nos tempos idos da infância.
Houve um dia em que a vizinha
fez um estranho penteado
passando muito laquê
dizendo solenemente
que eu seria a rainha
de um concurso de beleza.
Com esse laquê, pensei eu,
serei rainha dos ETs,
Os moleques curiosos
com seus risonhos olhos,
estavam muito curiosos
e vez por outra falavam
alguns sinceros gracejos.
Depois da tal solenidade,
ficou difícil retirar
aquele terrível laquê.
E lá se ia eu, engraçada,
com o enorme penteado
andando envergonhada,
com meus cabelos espetados.
Hoje ao recordar
dessa fase de minha história
revejo a criança que fui
no álbum da minha memória.

Ótimo fim de semana a todos.

domingo, 5 de outubro de 2014

Conscientização



Precisamos urgente de mentes
engajadas com a restauração da
moral em todo território nacional!
- Chega de corrupção política!
- Chega de tanta violência!
- Chega de invasão da nossa privacidade
que rouba das crianças a inocência!
É preciso que se banhe essa nação com águas
límpidas e transparentes da moralidade. 
É preciso investir forte na educação para
que possamos formar futuros cidadãos!
É preciso banir todo ser pífio e desonesto do poder
para que tenhamos esperança no futuro,
não seguindo por caminhos incertos e obscuros!
Precisamos de um governo novo
voltado para o povo 
não para as minorias
historicamente privilegiadas!
Precisamos renovar, lançando a semente 
da honestidade no coração de cada mente infantil, 
pois serão essas crianças que governarão esse imenso Brasil!


Boa noite e que Deus nos proteja!

sábado, 27 de setembro de 2014

Análise da poesia - Vandalismo, Augusto dos Anjos


Meu coração tem catedrais imensas, (A)
Templos de priscas e longínquas datas, (B)
Onde um nume de amor, em serenatas, (A)
Canta a aleluia virginal das crenças. (B)

Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais (C)

Entrei um dia nessas catedrais  (C)
E nesses templos claros e risonhos... (D)

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,

No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
(Eu, Augusto dos Anjos)

O poeta Augusto dos Anjos escreveu um única obra poética, Eu, publicado em 1912. Não teve o merecido reconhecimento na época em que viveu pelos temas polêmicos que escrevia, sendo temas principais: a obsessão profunda pela morte, a negação da vida material e a decomposição do corpo, daí a alcunha de o Poeta da Morte. Faleceu aos 30 anos em 1914.

Comentários
O poema acima é estruturado em forma de soneto, ou seja, dois quartetos e dois tercetos e o esquema rítmico feito nos quartetos em ABAB e nos tercetos CCD. A linguagem é formal e por isso, é importante atentar para o significado de determinadas palavras:

Vocabulário
Vandalismo - destruição
Prisca - antiga, que pertence ao passado
Nune - divindade, poder celeste
Ogiva - arco diagonal de uma abóbada gótica
Templário -  membro de uma antiga ordem militar fundada em 1119 em Jerusalém.
Gládio - espada
Hasta - lança
iconoclasta - destruidor de imagens ou ídolos. 

Comentário
Na primeira estrofe o eu lírico se refere a catedrais antigas que habitam em seu coração, sendo a divindade principal, o amor verdadeiro e essencial. Na segunda estrofe o eu lírico vai descrevendo a beleza desse sentimento que ilumina a vida. Todavia, no primeiro terceto, surge o templário que invade esse coração, uma metáfora para a paixão devastadora que domina o sentimento puro com o gládio e a lança, armas simbolizando o ímpeto do desejo carnal. No último terceto, temos o triunfo da paixão sobre o amor, refletindo o conflito do eu lírico entre o desejo carnal e o amor - o que é muito comum acontecer visto que incontáveis indivíduos abdicam do amor para sucumbir a um verdadeiro temporal da paixão. Vale frisar que todo temporal é passageiro, bem diferente do indelével sentimento do amor.  


Bom dia - paz e bem.




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viajando ao passado: análise - Conto de Escola (Machado de Assis)


A literatura nos permite voltar ao passado e refletir sobre costumes da época em que o escritor está inserido. Nesse conto, a história narrada tem como contexto histórico o fim do Império, a Abolição dos Escravos e a Proclamação da República.

O foco narrativo é feito em primeira pessoa:

"Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã."

Espaço geográfico - Uma escola no Rio de Janeiro.

Tempo cronológico -  1840

"O ano era de 1840. Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. 

Personagens:

Pilar - o narrador protagonista da história que narra fatos acontecidos quando era criança. Podemos afirmar que não era um aluno exemplar visto que gostava de matar aula, embora fosse inteligente nos assuntos das aulas.
Policarpo - severo professor da época que usava palmatória para corrigir os alunos. Era temido por eles.
Raimundo - filho do professor. Aluno que sentia dificuldade em assimilar as lições, porém faria tudo para demonstrar que entendia do assunto porque o pai era muito mais rigoroso com ele.
Curvelo - colega de classe de Pilar e Raimundo, o delator da história.

ENREDO

O conto narra um fato ocorrido na infância de Pilar que relembra o momento em que foi flagrado pelo colega Curvelo, ensinando a lição a Raimundo que sentia dificuldade de aprendizagem; em troca dessa ajuda, Raimundo daria uma moedinha de prata ao colega. Por esse motivo considerado suborno pelo professor, ambos foram punidos duramente com doze bolos dados diante de todos, na sala de aula, causando constrangimento, dor e humilhação nos dois meninos. Isso aconteceu porque o suborno envolvia diretamente o filho do professor e o protagonista do conto que resolveu dar uma surra em Curvelo após o término da aula. No entanto, Curvelo se escondeu não sendo encontrado por Pilar.

COMENTÁRIO

Durante a leitura desse conto, vamos adentrando no universo da educação tradicional que perdurou por muito tempo nos colégios brasileiros. Logo no início do conto, o personagem Pilar não está disposto a ir à escola, antes preferiria matar aulas. Entretanto, já havia feito isso, tendo o pai descoberto e dado-lhe uma surra com vara de marmeleiro. Ao lembrar da surra, nosso personagem conclui que o melhor é ir à escola. Percebemos nesse fato uma crítica machadiana à escola que causava repulsa e motivo de evasão escolar visto que Pilar era inteligente, porém sentia-se atraído mais pelos colegas de rua do que pelo ambiente anti democrático da escola; ambiente esse onde o professor era dono exclusivo do conhecimento, não permitia questionamentos cuja autoridade deveria ser respeitada mediante o medo que incutia nos alunos através de severos castigos. Podemos notar também que pessoas como o garoto Curvelo está presente em todos os âmbitos da sociedade: dedo duro, capaz de trair os colegas apenas para ganhar mérito em cima das desgraças alheias. Quanto a atitude do professor, creio que na verdade, sentiu-se humilhado por ver que o filho não assimilava as lições que ele passava, entretanto, era capaz de aprender com a ajuda de um simples colega de sala. Por esse motivo castigou os garotos. Depois dessa punição, Pilar volta à escola no dia seguinte disposto a encontrar a moedinha que o professor jogou pela janela quando estava em fúria. Contudo, ao ver um batalhão de fuzileiros passando preferiu segui-los, matando mais um dia de aula. O conto termina com o garoto afirmando que foi justamente com Raimundo e Curvelo que teve o primeiro conhecimento sobre corrupção e delação. Concluo que Machado de Assis ficaria perplexo se vivesse nessa época ao ver o quanto a corrupção e a delação tomaram proporções gigantescas tanto na vida social quanto política e econômica nesse imenso país que é o Brasil.

Boa noite



domingo, 14 de setembro de 2014

Felicidade, Felicidade ...


Felicidade, felicidade ...
Tão rara e tão fugaz!
Sonho de mocidade
que para a ter, tudo faz!
Quem inventou a felicidade,
esqueceu-se de avisar
que ela é feita de momentos,
feitos para nos aliviar
dos problemas dessa vida
que sempre vêm nos visitar.
E por ser tão querida,
tão amada e desejada
causa grande frustração,
levando muitos à depressão
que os condena a viverem
num mundo de escuridão.
A vida é feita de estações
tal qual o próprio tempo
nunca é verão totalmente,
pois logo chega o inverno
só para nos mostrar
que nada aqui é eterno.
Viver, viver simplesmente
sem grande expectativas
encarando firmemente
os problemas dessa vida.
Deixo aqui a experiência
sem nenhum arroubamento:
vivo em paz com o mundo inteiro,
aproveitando cada bom momento
como se fosse o derradeiro!


 

A felicidade está mesmo é nas coisas simples da vida. 
Lindo domingo a todos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Para quem gosta ler ...

O Casal de Velhos


O céu estava escurecendo rapidamente, fechado, quase pretas, anunciando uma tempestade de trovões, relâmpagos e águas pesadas. Manezinho apressou o passo na estrada deserta meio sem saber o que fazer. Tinha pegado uma carona até o trevo  e agora caminhava em direção da cidade que se escondia do lado de lá da pequena montanha. Quase uma hora de caminhada e via apenas a estradinha se espichando, em direção ao monte de terra. Tomaria chuva, com certeza. No máximo, tentaria se esconder de baixo de uma daquelas arvorezinhas raquíticas que margeavam o caminho. A escuridão aumentou ainda mais, fazendo com que aquele homem danado de corajoso, tivesse medo do temporal e do aguaceiro que estavam para vir. Pensou em correr um pouco, mas desistiu, achando que nada adiantaria. Olhou para cima, como que buscando explicação, e resmungou: “Que venha água, que eu não tenho medo!”
Mal acabara de resmungar, avistou uma casinha branca e suja, na beira da estrada quase sem vegetação. Manezinho levou um susto que o fez arrepiar: até bem pouco tempo atrás, algumas dezenas de passos antes, a casinha não estava ali. Ou estava vendo uma miragem ou o medo da tempestade era real e não o estava deixando ver nada a sua frente. De qualquer forma, após a primeira impressão de estranhamento, apressou-se em bater à porta e pedir guarida, antes que a natureza o castigasse:
_Ò de casa!
Silêncio.
_Ó de casa! Tem gente ai? 
Ouviu um ruído de ferro rangendo e a porta de madeira se abriu. Um rosto velho, cheio de rugas, mas simpático, apareceu com um sorriso acolhedor. Manezinho se explicou à velha senhora: _Vem chuva brava aí, minha senhora. Ainda estou longe da cidade... a velha olhava ternamente para Manezinho. _...se a senhora não se importar... _Claro que não, meu filho. Entre. A casa é pobre, mas dá para receber mais um. _Obrigado! Assim que a chuva passar, eu vou embora. _ Não precisa ter pressa. A casa é de pobre, mas cabe mais um. Entre. 
Manezinho entrou. A casa era pobre mesmo. Na verdade, era estranha, mais estranha do que pobre: o cômodo em que se encontrava era grande, escuro, com luz de velas e três cadeiras apenas; havia um outro cômodo, mas estava fechado. Numa das cadeiras estava sentado o outro habitante da casa, um velho não menos simpático: 
_Fique à vontade disse, levando para cumprimentá-lo com uma enorme mão fria sente-se. Manezinho sentou-se. os velhos também se sentaram. Pareciam tristes, mas queriam conversar. 
_O senhor vem de longe? Manezinho contou alguns pedaços de sua história. _ Não tenho lugar de onde venho. Faz três ou quatro anos que não tenho lugar fixo. Sou do mundo... Andando aqui e ali... Para um pouco em cada lugar, trabalho, ganho algum dinheiro e torno a seguir caminho.
Um cheiro forte de velas tomava conta do cômodo e da história. _ Você não tem família? Manezinho não soube quem perguntou, se o velho ou a velha. Teve a impressão de que a voz não viera de nenhum dos dois. Que viera de algum outro lugar, tamanha era a quietude silenciosa do casal de velhos. _ Não tenho. Já tive um dia! Tive duas. _ Duas? _ É. Uma família onde eu nasci e outra que me criou desde pequeno. Depois que eu cresci e aprendi uma profissão, resolvi correr o mundo à procura de meus pais verdadeiros. 
_ E ainda não encontrou seus pais verdadeiros? 
Manezinho entendeu que a pergunta tinha vindo da velha senhora. A fraca luz das velas e o escuro do cômodo davam-lhe a impressão de que ela era transparente, algo nebuloso, sem consistência. Achou que fosse maluquice seu efeito do cansaço e medo da tempestade. Olhou mais fixamente para ela e respondeu: 
_ Não. Acho que nem vou encontrar. Mas gostaria muito de encontrá-los e dizer que gosto muito deles, mesmo tendo sido criado por outras pessoas. Eu tenho uma fotografia deles me carregando no colo. Está muito gasta e estragada. Mas é a única pista que tenho para procurá-los. Quem sabe, um dia... _Nós também passamos boa parte da vida procurando o único filho que tivemos... Manezinho teve a impressão de que fora o velhinho o dono da fala. Continuou a conversa dirgindo-se a ele: _ _Procurando...? _ O destino tirou nosso filho. Eu não gostaria de morrer sem ver nosso filho. Um silencio mortal, regado a cheiro de vela, barulho de chuva, trovões e relâmpagos, interrompeu momentaneamente a conversa. _ Vou fazer uma sopa. O senhor aceita tomar um prato conosco? _ Aceito, claro. A velha senhora foi ao outro cômodo, que estava fechado, e no mesmo instante voltou com dois pratos de sopa. Ofereceu um ao velho e o outro a Manezinho. Voltou, buscou outro para si e veio sentar-se junto deles. _ É uma sopa pobre, mas é a mesma que ofereceríamos ao nosso filho se o encontrássemos. Manezinho tomou a sopa mais por gentileza. Não tinha gosto algum o liquido que ele levava a boca. Depois continuaram a conversa, devagar, com intervalos de silencio, mas sem parar. Havia nos velho algo de extremamente simpático e familiar, algo que, apesar das estranhezas da casa e do comportamento dele, cativava Manezinho. 
_ Acho que seria a minha maior alegria reencontrar meus pais.
_ Também seria a nossa grande alegria rever o filho que o destino levou...
A conversa arrastou-se por mais tempo. Manezinho, às vezes, tinha a impressão de que conversava sozinho, tamanha era a quietude do casal de velhos. Foi assim até que sentiu sono. A tempestade tinha passado e ele decidiu que podia continuar a caminhada. Mas a gentileza dos velhinhos segurou-o mais tempo, dessa vez para dormir.
_ Não se vá. Está escuro e a cidade fica longe. Durma aqui e amanhã você seguirá caminho. Não tem cama, mas você pode se ajeitar num canto qualquer.
Ele agradeceu e aceitou. Encostou-se num canto do cômodo, esticou o corpo no chão frio, apoiou a cabeça na mala de lona que trazia consigo e dormiu. Dormiu cansado, ainda com fome, com frio e uma esquisita sensação de não estar entendendo direito sua presença naquela casa e a conversa com o casal de velhos. Dormiu mal, uma noite cheia de sonhos estranhos, pesados e incompreensíveis.
Acordou da noite mal dormida com a luz forte do sol filtrada pelo grosso vidro da porta da casa. Ainda cansado pela noite de sono ruim, correu lentamente os olhos pelos espaços da casa. Procurando primeiro a presença dos velhos e depois os objetos conhecidos. Não encontrou nem uma coisa nem outra. Não havia barulho de pessoas só silencio. Não havia sinais de vida. Só três cadeiras escuras encostadas à parede e quatro cavaletes de ferro cromado. Na frente dos cavaletes, como se fosse um altar, enormes castiçais com grandes velas brancas pareciam arrumados para alguma cerimônia. Ele deu um pulo, o coração batendo desesperado, quase à boca, e correu para a porta, abrindo-a imediatamente.
Não fosse Manezinho quem era uma pessoa acostumada às surpresas, as mudanças, aos reveses da vida, teriam sucumbido ante o susto que levou quando percebeu onde estava: acabara de passar a noite na capela do cemitério da cidade. Saiu disparado em direção ao portão. No caminho encontrou uma pessoa, provavelmente o coveiro, cavando duas covas. Parou afobado junto ao homem e perguntou-lhe:
_ O senhor pode me dizer se há por aqui uma pequena casa habitada por um simpático casal de velhos?
O coveiro ergueu o corpo, descansou a pá suja de terra e respondeu:
_ Não moço. No caminho da cidade só tem mesmo o cemitério. Agora...o casal de velhos simpáticos de que o senhor está falando pode ser o que morreu esta noite. São dois velhos que moram perto da escola. Eles morreram, depois da chuvarada. Essas covas são para eles... 
Um arrepio profundo quase revirou o corpo de Manezinho. Lembrou-se da conversa, do cheiro de vela...
_ Onde o senhor disse que eles moram?
_ Moravam, moço. Agora já morreram.
_ Perto da escola. Todo mundo sabe, é só perguntar.
Manezinho disparou pela estrada. Estava um pouco longe, mas a carreira foi tão aflita e desesperada que num instante a cidade chegou perto dele. Mais um instante e descobriu a casa do casal de velhos. Sentiu que estava perto, bem perto de alguma explicação. O cheiro de velas da noite anterior voltou aos seus sentidos quando entrou na pequena sala onde estavam, lado a lado, os dois caixões de madeira com os corpos. Aproximou-se, devagar, e viu os rostos do simpático casal com quem passara a noite anterior. O estÔmago vazio resmungou em coro com o coração acelerado. Ali estavam seus dois companheiros de conversa! Mas faltava alguma coisa ainda. Faltava uma explicação. Por que ele? Por que ele? Por mais que procurasse entender o episodio da noite passada no cemitério, não conseguia encontrar explicações.
Ficou muito tempo de pé, parado em frente aos corpos em meio à curiosidade das pessoas que ali estavam. Alguém lembrou-se de convidá-lo a sentar-se. Manezinho agradeceu e sentou-se. Os olhos começaram a correr a parede, mecanicamente, procurando aqui e ali os detalhes que estavam escapando de sua compreensão. E foi assim, nessa procura, recolhendo pedaços de lembrança, que reparou em uma moldura desbotada presa a parede.
“Não é possível! Não é possível”
Apanhou sua carteira e, atrapalhado, remexendo papeis e cédulas velhas de dinheiro, pegou uma pequena fotografia. Nela, um casal abraçava carinhosamente uma criança de cerca de três anos, era a foto dele com seus pais verdadeiros, primeira e única foto, relíquia guardada por anos e anos.
Manezinho levantou-se, trêmulo, e se aproximou da foto maior da parede. Somente a mesma foto.
A cidade toda ouviu o grito de Manezinho. 

Edson Garcia, da obra Sete Gritos de Terror.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Serenidade interior



"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá (para tirá-la depois)."
Jesus Cristo

Vou vagando silenciosa e calma
pelo vasto jardim desse meu interior
sentindo a brisa suave que me afaga,
perdoando a quem me magoou.
E é tão doce esse local em que me encontro
não há tristezas, nem nada morto ao redor,
tudo é lento como um rio suave e brando
que não se importa de seguir seu rumo só.
Na tranquilidade desse mundo especial,
mundo que escolhi para viver
as flores mais belas, viçosas e perfumadas
brotam mais vivas a cada amanhecer.
Agradeço a Deus, pois tudo aqui me satisfaz
visto que a maior vitória nessa vida
é conseguir andar nesta terra em plena paz!




: onselectstart='return false'