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sábado, 27 de setembro de 2014

Análise da poesia - Vandalismo, Augusto dos Anjos


Meu coração tem catedrais imensas, (A)
Templos de priscas e longínquas datas, (B)
Onde um nume de amor, em serenatas, (A)
Canta a aleluia virginal das crenças. (B)

Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais (C)

Entrei um dia nessas catedrais  (C)
E nesses templos claros e risonhos... (D)

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,

No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
(Eu, Augusto dos Anjos)

O poeta Augusto dos Anjos escreveu um única obra poética, Eu, publicado em 1912. Não teve o merecido reconhecimento na época em que viveu pelos temas polêmicos que escrevia, sendo temas principais: a obsessão profunda pela morte, a negação da vida material e a decomposição do corpo, daí a alcunha de o Poeta da Morte. Faleceu aos 30 anos em 1914.

Comentários
O poema acima é estruturado em forma de soneto, ou seja, dois quartetos e dois tercetos e o esquema rítmico feito nos quartetos em ABAB e nos tercetos CCD. A linguagem é formal e por isso, é importante atentar para o significado de determinadas palavras:

Vocabulário
Vandalismo - destruição
Prisca - antiga, que pertence ao passado
Nune - divindade, poder celeste
Ogiva - arco diagonal de uma abóbada gótica
Templário -  membro de uma antiga ordem militar fundada em 1119 em Jerusalém.
Gládio - espada
Hasta - lança
iconoclasta - destruidor de imagens ou ídolos. 

Comentário
Na primeira estrofe o eu lírico se refere a catedrais antigas que habitam em seu coração, sendo a divindade principal, o amor verdadeiro e essencial. Na segunda estrofe o eu lírico vai descrevendo a beleza desse sentimento que ilumina a vida. Todavia, no primeiro terceto, surge o templário que invade esse coração, uma metáfora para a paixão devastadora que domina o sentimento puro com o gládio e a lança, armas simbolizando o ímpeto do desejo carnal. No último terceto, temos o triunfo da paixão sobre o amor, refletindo o conflito do eu lírico entre o desejo carnal e o amor - o que é muito comum acontecer visto que incontáveis indivíduos abdicam do amor para sucumbir a um verdadeiro temporal da paixão. Vale frisar que todo temporal é passageiro, bem diferente do indelével sentimento do amor.  


Bom dia - paz e bem.




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viajando ao passado: análise - Conto de Escola (Machado de Assis)


A literatura nos permite voltar ao passado e refletir sobre costumes da época em que o escritor está inserido. Nesse conto, a história narrada tem como contexto histórico o fim do Império, a Abolição dos Escravos e a Proclamação da República.

O foco narrativo é feito em primeira pessoa:

"Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã."

Espaço geográfico - Uma escola no Rio de Janeiro.

Tempo cronológico -  1840

"O ano era de 1840. Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. 

Personagens:

Pilar - o narrador protagonista da história que narra fatos acontecidos quando era criança. Podemos afirmar que não era um aluno exemplar visto que gostava de matar aula, embora fosse inteligente nos assuntos das aulas.
Policarpo - severo professor da época que usava palmatória para corrigir os alunos. Era temido por eles.
Raimundo - filho do professor. Aluno que sentia dificuldade em assimilar as lições, porém faria tudo para demonstrar que entendia do assunto porque o pai era muito mais rigoroso com ele.
Curvelo - colega de classe de Pilar e Raimundo, o delator da história.

ENREDO

O conto narra um fato ocorrido na infância de Pilar que relembra o momento em que foi flagrado pelo colega Curvelo, ensinando a lição a Raimundo que sentia dificuldade de aprendizagem; em troca dessa ajuda, Raimundo daria uma moedinha de prata ao colega. Por esse motivo considerado suborno pelo professor, ambos foram punidos duramente com doze bolos dados diante de todos, na sala de aula, causando constrangimento, dor e humilhação nos dois meninos. Isso aconteceu porque o suborno envolvia diretamente o filho do professor e o protagonista do conto que resolveu dar uma surra em Curvelo após o término da aula. No entanto, Curvelo se escondeu não sendo encontrado por Pilar.

COMENTÁRIO

Durante a leitura desse conto, vamos adentrando no universo da educação tradicional que perdurou por muito tempo nos colégios brasileiros. Logo no início do conto, o personagem Pilar não está disposto a ir à escola, antes preferiria matar aulas. Entretanto, já havia feito isso, tendo o pai descoberto e dado-lhe uma surra com vara de marmeleiro. Ao lembrar da surra, nosso personagem conclui que o melhor é ir à escola. Percebemos nesse fato uma crítica machadiana à escola que causava repulsa e motivo de evasão escolar visto que Pilar era inteligente, porém sentia-se atraído mais pelos colegas de rua do que pelo ambiente anti democrático da escola; ambiente esse onde o professor era dono exclusivo do conhecimento, não permitia questionamentos cuja autoridade deveria ser respeitada mediante o medo que incutia nos alunos através de severos castigos. Podemos notar também que pessoas como o garoto Curvelo está presente em todos os âmbitos da sociedade: dedo duro, capaz de trair os colegas apenas para ganhar mérito em cima das desgraças alheias. Quanto a atitude do professor, creio que na verdade, sentiu-se humilhado por ver que o filho não assimilava as lições que ele passava, entretanto, era capaz de aprender com a ajuda de um simples colega de sala. Por esse motivo castigou os garotos. Depois dessa punição, Pilar volta à escola no dia seguinte disposto a encontrar a moedinha que o professor jogou pela janela quando estava em fúria. Contudo, ao ver um batalhão de fuzileiros passando preferiu segui-los, matando mais um dia de aula. O conto termina com o garoto afirmando que foi justamente com Raimundo e Curvelo que teve o primeiro conhecimento sobre corrupção e delação. Concluo que Machado de Assis ficaria perplexo se vivesse nessa época ao ver o quanto a corrupção e a delação tomaram proporções gigantescas tanto na vida social quanto política e econômica nesse imenso país que é o Brasil.

Boa noite



domingo, 14 de setembro de 2014

Felicidade, Felicidade ...


Felicidade, felicidade ...
Tão rara e tão fugaz!
Sonho de mocidade
que para a ter, tudo faz!
Quem inventou a felicidade,
esqueceu-se de avisar
que ela é feita de momentos,
feitos para nos aliviar
dos problemas dessa vida
que sempre vêm nos visitar.
E por ser tão querida,
tão amada e desejada
causa grande frustração,
levando muitos à depressão
que os condena a viverem
num mundo de escuridão.
A vida é feita de estações
tal qual o próprio tempo
nunca é verão totalmente,
pois logo chega o inverno
só para nos mostrar
que nada aqui é eterno.
Viver, viver simplesmente
sem grande expectativas
encarando firmemente
os problemas dessa vida.
Deixo aqui a experiência
sem nenhum arroubamento:
vivo em paz com o mundo inteiro,
aproveitando cada bom momento
como se fosse o derradeiro!


 

A felicidade está mesmo é nas coisas simples da vida. 
Lindo domingo a todos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Para quem gosta ler ...

O Casal de Velhos


O céu estava escurecendo rapidamente, fechado, quase pretas, anunciando uma tempestade de trovões, relâmpagos e águas pesadas. Manezinho apressou o passo na estrada deserta meio sem saber o que fazer. Tinha pegado uma carona até o trevo  e agora caminhava em direção da cidade que se escondia do lado de lá da pequena montanha. Quase uma hora de caminhada e via apenas a estradinha se espichando, em direção ao monte de terra. Tomaria chuva, com certeza. No máximo, tentaria se esconder de baixo de uma daquelas arvorezinhas raquíticas que margeavam o caminho. A escuridão aumentou ainda mais, fazendo com que aquele homem danado de corajoso, tivesse medo do temporal e do aguaceiro que estavam para vir. Pensou em correr um pouco, mas desistiu, achando que nada adiantaria. Olhou para cima, como que buscando explicação, e resmungou: “Que venha água, que eu não tenho medo!”
Mal acabara de resmungar, avistou uma casinha branca e suja, na beira da estrada quase sem vegetação. Manezinho levou um susto que o fez arrepiar: até bem pouco tempo atrás, algumas dezenas de passos antes, a casinha não estava ali. Ou estava vendo uma miragem ou o medo da tempestade era real e não o estava deixando ver nada a sua frente. De qualquer forma, após a primeira impressão de estranhamento, apressou-se em bater à porta e pedir guarida, antes que a natureza o castigasse:
_Ò de casa!
Silêncio.
_Ó de casa! Tem gente ai? 
Ouviu um ruído de ferro rangendo e a porta de madeira se abriu. Um rosto velho, cheio de rugas, mas simpático, apareceu com um sorriso acolhedor. Manezinho se explicou à velha senhora: _Vem chuva brava aí, minha senhora. Ainda estou longe da cidade... a velha olhava ternamente para Manezinho. _...se a senhora não se importar... _Claro que não, meu filho. Entre. A casa é pobre, mas dá para receber mais um. _Obrigado! Assim que a chuva passar, eu vou embora. _ Não precisa ter pressa. A casa é de pobre, mas cabe mais um. Entre. 
Manezinho entrou. A casa era pobre mesmo. Na verdade, era estranha, mais estranha do que pobre: o cômodo em que se encontrava era grande, escuro, com luz de velas e três cadeiras apenas; havia um outro cômodo, mas estava fechado. Numa das cadeiras estava sentado o outro habitante da casa, um velho não menos simpático: 
_Fique à vontade disse, levando para cumprimentá-lo com uma enorme mão fria sente-se. Manezinho sentou-se. os velhos também se sentaram. Pareciam tristes, mas queriam conversar. 
_O senhor vem de longe? Manezinho contou alguns pedaços de sua história. _ Não tenho lugar de onde venho. Faz três ou quatro anos que não tenho lugar fixo. Sou do mundo... Andando aqui e ali... Para um pouco em cada lugar, trabalho, ganho algum dinheiro e torno a seguir caminho.
Um cheiro forte de velas tomava conta do cômodo e da história. _ Você não tem família? Manezinho não soube quem perguntou, se o velho ou a velha. Teve a impressão de que a voz não viera de nenhum dos dois. Que viera de algum outro lugar, tamanha era a quietude silenciosa do casal de velhos. _ Não tenho. Já tive um dia! Tive duas. _ Duas? _ É. Uma família onde eu nasci e outra que me criou desde pequeno. Depois que eu cresci e aprendi uma profissão, resolvi correr o mundo à procura de meus pais verdadeiros. 
_ E ainda não encontrou seus pais verdadeiros? 
Manezinho entendeu que a pergunta tinha vindo da velha senhora. A fraca luz das velas e o escuro do cômodo davam-lhe a impressão de que ela era transparente, algo nebuloso, sem consistência. Achou que fosse maluquice seu efeito do cansaço e medo da tempestade. Olhou mais fixamente para ela e respondeu: 
_ Não. Acho que nem vou encontrar. Mas gostaria muito de encontrá-los e dizer que gosto muito deles, mesmo tendo sido criado por outras pessoas. Eu tenho uma fotografia deles me carregando no colo. Está muito gasta e estragada. Mas é a única pista que tenho para procurá-los. Quem sabe, um dia... _Nós também passamos boa parte da vida procurando o único filho que tivemos... Manezinho teve a impressão de que fora o velhinho o dono da fala. Continuou a conversa dirgindo-se a ele: _ _Procurando...? _ O destino tirou nosso filho. Eu não gostaria de morrer sem ver nosso filho. Um silencio mortal, regado a cheiro de vela, barulho de chuva, trovões e relâmpagos, interrompeu momentaneamente a conversa. _ Vou fazer uma sopa. O senhor aceita tomar um prato conosco? _ Aceito, claro. A velha senhora foi ao outro cômodo, que estava fechado, e no mesmo instante voltou com dois pratos de sopa. Ofereceu um ao velho e o outro a Manezinho. Voltou, buscou outro para si e veio sentar-se junto deles. _ É uma sopa pobre, mas é a mesma que ofereceríamos ao nosso filho se o encontrássemos. Manezinho tomou a sopa mais por gentileza. Não tinha gosto algum o liquido que ele levava a boca. Depois continuaram a conversa, devagar, com intervalos de silencio, mas sem parar. Havia nos velho algo de extremamente simpático e familiar, algo que, apesar das estranhezas da casa e do comportamento dele, cativava Manezinho. 
_ Acho que seria a minha maior alegria reencontrar meus pais.
_ Também seria a nossa grande alegria rever o filho que o destino levou...
A conversa arrastou-se por mais tempo. Manezinho, às vezes, tinha a impressão de que conversava sozinho, tamanha era a quietude do casal de velhos. Foi assim até que sentiu sono. A tempestade tinha passado e ele decidiu que podia continuar a caminhada. Mas a gentileza dos velhinhos segurou-o mais tempo, dessa vez para dormir.
_ Não se vá. Está escuro e a cidade fica longe. Durma aqui e amanhã você seguirá caminho. Não tem cama, mas você pode se ajeitar num canto qualquer.
Ele agradeceu e aceitou. Encostou-se num canto do cômodo, esticou o corpo no chão frio, apoiou a cabeça na mala de lona que trazia consigo e dormiu. Dormiu cansado, ainda com fome, com frio e uma esquisita sensação de não estar entendendo direito sua presença naquela casa e a conversa com o casal de velhos. Dormiu mal, uma noite cheia de sonhos estranhos, pesados e incompreensíveis.
Acordou da noite mal dormida com a luz forte do sol filtrada pelo grosso vidro da porta da casa. Ainda cansado pela noite de sono ruim, correu lentamente os olhos pelos espaços da casa. Procurando primeiro a presença dos velhos e depois os objetos conhecidos. Não encontrou nem uma coisa nem outra. Não havia barulho de pessoas só silencio. Não havia sinais de vida. Só três cadeiras escuras encostadas à parede e quatro cavaletes de ferro cromado. Na frente dos cavaletes, como se fosse um altar, enormes castiçais com grandes velas brancas pareciam arrumados para alguma cerimônia. Ele deu um pulo, o coração batendo desesperado, quase à boca, e correu para a porta, abrindo-a imediatamente.
Não fosse Manezinho quem era uma pessoa acostumada às surpresas, as mudanças, aos reveses da vida, teriam sucumbido ante o susto que levou quando percebeu onde estava: acabara de passar a noite na capela do cemitério da cidade. Saiu disparado em direção ao portão. No caminho encontrou uma pessoa, provavelmente o coveiro, cavando duas covas. Parou afobado junto ao homem e perguntou-lhe:
_ O senhor pode me dizer se há por aqui uma pequena casa habitada por um simpático casal de velhos?
O coveiro ergueu o corpo, descansou a pá suja de terra e respondeu:
_ Não moço. No caminho da cidade só tem mesmo o cemitério. Agora...o casal de velhos simpáticos de que o senhor está falando pode ser o que morreu esta noite. São dois velhos que moram perto da escola. Eles morreram, depois da chuvarada. Essas covas são para eles... 
Um arrepio profundo quase revirou o corpo de Manezinho. Lembrou-se da conversa, do cheiro de vela...
_ Onde o senhor disse que eles moram?
_ Moravam, moço. Agora já morreram.
_ Perto da escola. Todo mundo sabe, é só perguntar.
Manezinho disparou pela estrada. Estava um pouco longe, mas a carreira foi tão aflita e desesperada que num instante a cidade chegou perto dele. Mais um instante e descobriu a casa do casal de velhos. Sentiu que estava perto, bem perto de alguma explicação. O cheiro de velas da noite anterior voltou aos seus sentidos quando entrou na pequena sala onde estavam, lado a lado, os dois caixões de madeira com os corpos. Aproximou-se, devagar, e viu os rostos do simpático casal com quem passara a noite anterior. O estÔmago vazio resmungou em coro com o coração acelerado. Ali estavam seus dois companheiros de conversa! Mas faltava alguma coisa ainda. Faltava uma explicação. Por que ele? Por que ele? Por mais que procurasse entender o episodio da noite passada no cemitério, não conseguia encontrar explicações.
Ficou muito tempo de pé, parado em frente aos corpos em meio à curiosidade das pessoas que ali estavam. Alguém lembrou-se de convidá-lo a sentar-se. Manezinho agradeceu e sentou-se. Os olhos começaram a correr a parede, mecanicamente, procurando aqui e ali os detalhes que estavam escapando de sua compreensão. E foi assim, nessa procura, recolhendo pedaços de lembrança, que reparou em uma moldura desbotada presa a parede.
“Não é possível! Não é possível”
Apanhou sua carteira e, atrapalhado, remexendo papeis e cédulas velhas de dinheiro, pegou uma pequena fotografia. Nela, um casal abraçava carinhosamente uma criança de cerca de três anos, era a foto dele com seus pais verdadeiros, primeira e única foto, relíquia guardada por anos e anos.
Manezinho levantou-se, trêmulo, e se aproximou da foto maior da parede. Somente a mesma foto.
A cidade toda ouviu o grito de Manezinho. 

Edson Garcia, da obra Sete Gritos de Terror.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Serenidade interior



"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá (para tirá-la depois)."
Jesus Cristo

Vou vagando silenciosa e calma
pelo vasto jardim desse meu interior
sentindo a brisa suave que me afaga,
perdoando a quem me magoou.
E é tão doce esse local em que me encontro
não há tristezas, nem nada morto ao redor,
tudo é lento como um rio suave e brando
que não se importa de seguir seu rumo só.
Na tranquilidade desse mundo especial,
mundo que escolhi para viver
as flores mais belas, viçosas e perfumadas
brotam mais vivas a cada amanhecer.
Agradeço a Deus, pois tudo aqui me satisfaz
visto que a maior vitória nessa vida
é conseguir andar nesta terra em plena paz!




sábado, 23 de agosto de 2014

Paz nas Adversidades


Depois de uma semana intensa de trabalho, é hora de nos recolhermos dentro de nós mesmas para nos darmos o tempo necessário a fim de descansarmos o corpo e a mente. Imaginar um local como esse da imagem acima e ainda nos sentirmos bem por estarmos trabalhando, enquanto há muitas pessoas desempregadas. 

É tempo de pensar o que é bom, tempo de limpar a mente de tudo o que é preocupação, tudo que gera sofrimento, tudo o que não podemos modificar e entregar a Deus, mantendo a fé inabalável nele. Agradecer por estarmos respirando, enquanto muitos lutam pela vida, respirando por aparelhos; é mister manter a saúde emocional sem nos deixarmos abalar por situações que nos chegam abrindo feridas na alma, pois alma doente, corpo doente. 

Tudo na vida depende de como encaramos as adversidades, sabendo que a nossa mente comanda o corpo e quanto mais dimensionarmos os problemas, maiores eles se tornam a ponto de nos sufocarmos e cairmos no abismo da depressão. Tristeza chama tristeza, alegria chama alegria.

Ainda me recordo de um leproso que eu ia sempre visitar no leprosário em dias de visitas, ele sempre me recebia com um sorriso porque não tinha nenhuma visita e na hora da refeição, orava agradecendo a Deus pelo alimento e pela minha visita. 

Fui várias vezes visitá-lo e nunca vi nenhuma reclamação, pelo contrário, ele gostava de falar sobre a vida dele. Um dia, ao visitá-lo, vi o banco onde ele me esperava vazio, fui então perguntar por ele, responderam que ele havia morrido no meio da semana e em caso de morte o leprosário não pode comunicar ninguém visto que nesse momento é alto a chance de contaminação. 

Creio que ele está com Deus e se aqui já havia encontrado o caminho da paz, lá ele deve estar muito melhor do que aqui. Esta é a mensagem que quero deixar hoje a todos que acessarem, pois é importante que vocês tenham em mente que tudo passa nessa vida medonha, o importante é não nos desesperarmos no momento da tribulação, mas sim, esperarmos pacientemente, mantendo o otimismo e os pensamentos voltados não para os problemas e sim para tudo o que é agradável e nobre como Paulo aconselhou:

Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.
(Filipenses 4:8)

Tenham um bom descanso na paz do Senhor Deus.


domingo, 17 de agosto de 2014

Alienação



Há vários conceitos de alienação e aqui nos interessa a alienação social, aquela que impede as pessoas de terem pensamentos próprios e por isso aceitam sem questionamento tudo o que é veiculado nos meios de comunicação. 

A alienação é própria do sistema moderno capitalista, esse sistema selvagem que existe para a exploração da mão de obra do trabalhador e visa unicamente o lucro dos proprietários dos meios de produção, os empresários. 

Para que haja lucro é preciso que haja produção em escala e consumidores, logo, é necessário que haja meios de divulgação que incentive a população a comprar, daí provém o grande número de propagandas que estimulam psicologicamente as pessoas. 

Nesse sentido, entram em ação o aparato tecnológico criando ideologias falsas com mensagens apelativas e principalmente emocionais; nesse jogo de gato e rato a aparência supera a essência humana e o materialismo passa a comandar a vida das pessoas.  

Como podemos perceber, ideologia aqui não é no sentido positivo, mas sim aquela que sutilmente sem imposição mascara a realidade através de imagens divulgadas e alienantes; neste contexto se inserem muitos trabalhadores que muitas vezes investem o pouco salário recebido em compras supérfluas, desnecessárias.

"Viva o luxo, abaixo o bucho". Esse é um ditado comum por aqui que bem expressa a mente dominada de incontáveis números de pessoas. Esse tema é extenso e eu poderia escrever muito sobre ele. Mas vou me deter naquilo que me propus a escrever logo ao acordar. 

A alienação pior a que quero me referir é a alienação moral. Nunca em toda a história da humanidade, o ser humano se deixou dominar mentalmente como neste século. Talvez, pior do que está, só na época de Sodoma e Gomorra; através de novelas, de vídeos pornôs e de revistas, a mídia tem sido utilizada como meio de depravação, desrespeitando as famílias, contribuindo em muito para o esfacelamento da célula maior da sociedade. É mister salientar que a população alienada desconhece que esse tipo de divulgação podre é próprio da mente imunda de quem escreve o texto.

Em nome da liberdade de expressão vão espalhando ao vento ideias que não contribuem em nada na formação psicológica das crianças, despertando precocemente a sexualidade, apresentando cenas de adultério como expressão de amor. Que tipo de amor é esse que prega a separação do casal? Que músicas são essas cujas letras iniciam a criança na obtenção de um linguajar baixo e vulgar?

As crianças são as vítimas deste sistema e os adolescentes idem. É moda seguir o que a mídia apresenta, é moda ser igual a personagens de novelas, personagens rebeldes aos pais, personagens pérfidos, personagens sem controle emocional sendo que poucos personagens fazem a diferença.

Enfim, o amor para a mídia é sexo e sexo não é amor. Valores como honestidade, gratidão, respeito e ternura há muito estão sendo esquecidos, pois o que interessa é a competição para ver quem tem mais, quem é o melhor, características primordiais do sistema capitalista que não satisfeito em explorar o trabalhador, pois não há distribuição de renda justa, ainda o aliena naquilo que lhe é mais sagrado, a sua consciência, roubando-lhes os valores  inerentemente humano - o amor.

Que seu domingo seja de paz.


domingo, 10 de agosto de 2014

A Delícia de ser o que somos


Parodiando Caetano logo cedo, bom dia mesmo! Bom dia com otimismo e muita alegria de viver. Numa época em que a mídia dita à sociedade como deve ser nosso físico, como se vestir, como deve ser as relações entre as pessoas, ter espírito crítico e independente é uma bênção dos céus. 

Essas exigências ditas pela moda tem causado transtornos mentais em adolescentes e até em pessoas jovens maduras que, por quererem seguir o padrão exigido a manequins, acabam exagerando em dietas, causando danos à mente e consequentemente, ao próprio corpo.

É preciso entender que existe uma genética que determina se seremos gordinhas ou não, macérrimas ou não. Uma pessoa geneticamente magra que se alimenta normalmente, mas não engorda é bonito de se ver, outras que se submetem a rigorosas dietas, transparece no rosto o sacrifício que fazem para se enquadrarem no perfil imposto pela mídia.

Se alguém é obesa não é porque quer, porém, pessoas ignorantes que jazem eternamente no berço esplêndido do preconceito não conseguem entendê-la porque nada entendem de genética e preconceito é justamente julgar sem ter conhecimento de causa, assim, toda pessoa preconceituosa é primeiramente uma ignorante.

Fazer dietas drásticas por motivos de saúde, vale a pena, entretanto, fazer dietas só para satisfazer quem impõe padrões de beleza física é próprio de quem é imaturo. Nos demais aspectos, cuidarmos do corpo é uma delícia mesmo e isso começa com a aceitação própria do que somos, do amor que devemos ter a nós mesmas, pois devemos nos amar para nos sentirmos bem sem cair nessa onda de carência.

Dessa forma, meninas, quem se ama se cuida, quem se ama não se importa com o que os outros vão falar porque o que vale a pena mesmo é sair por aí, curtir o verão absolutamente indiferente a críticas de quem é ignorante e não sabe o que é a delícia de ser realmente livre, afinal, todo tipo de imposição submete quem obedece a um sistema de  escravidão. 

Lindo domingo, passeie nem que seja pelas estradas floridas de tua mente.. 


domingo, 3 de agosto de 2014

Universo Virtual


A internet tem o aspecto bom que é de informar e ampliar o conhecimento de quem busca estar antenado com o que ocorre no mundo e quer por vezes fazer amizades ou algo mais. Distância não é problema, pois todos estão interligados - bem diferente de tempos atrás, quando levávamos dias para  receber uma correspondência.

Apesar da distância, apesar da espera, segundo o que dizem os mais maduros, os relacionamentos eram mais honestos que os atuais, pois embora na era da tecnologia haja tanta facilidade, é grande o número de pessoas que entram nas redes sociais para enganar, maltratar e decepcionar os outros. 

E o pior, a falta de educação é tanta que xingam em aberto mesmo. Quanto a relacionamento amoroso, o caso é mais sério - poucos dão certo, exatamente porque o amor vive tempo de crise e as pessoas, com raras exceções, querem mesmo é curtir a vida sem se importar com as feridas interiores que fazem aos outros.

Por isso, é bom tomar cuidado com quem estamos interagindo visto que o ser humano é movido pela emoção e no universo virtual em que muitos entram mascarados, corre-se o risco de sofrer. 

As brigas que presenciamos em sites de relacionamento demonstram gatos dando uma de "tigre", ameaçando os outros, insultando, usando o anonimato, ou seja, perfis que não são suas verdadeiras identidades.

Mas caluniar e ofender na internet é fácil - difícil é fazer isso no mundo real. E por pensar em mundo real, pessoas depressivas deveriam evitar acessar internet nesses sites de relacionamento porque junto com a depressão pode haver uma enorme carência emocional, então tais pessoas se tornariam presas fáceis de gente inescrupulosas que poderiam piorar o quadro da depressão.

Antes - deveriam sair de dentro do seu mundo interior, nutrir pensamentos positivos em relação a vida haja vista que a depressão se instala para valer, quando as pessoas começam a pensar negativo e incessantemente sobre problemas vivenciados, perdendo o gosto pela vida.

Mas a vida é bela sim e não são problemas grandes ou pequenos que deveriam ser usados como parâmetros para avaliá-la. Querer viver na escuridão por causa de problemas é bobagem, pois são através deles que vamos aprendendo a lidar com as pessoas ou acertar onde erramos.

Logo, creio que o mundo virtual a que me referi no começo, não deve ser usado com intenção de buscar a felicidade, mas sim como meio de entretenimento e de amizade. Quanto aos que se fazem de tigres são dignos de pena e dar confiança a eles, respondendo é como dar tiro ao ar porque esses tigres valentes no mundo real estão enjaulados, não passam de  gatinhos inofensivos. 

Lindo dia de domingo a todos.


domingo, 27 de julho de 2014

NADA ESTÁ PERDIDO

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua fazenda.

Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado.
O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. Mas pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.

Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o encobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.

No entanto, na medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia e a derrubava no chão e ia pisando sobre ela.

Logo os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que , finalmente, conseguiu sair...".

Muitas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade.

Afinal, se permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções:

Ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo;
Ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre.


É importante que, se estamos nos sentindo soterrar, sacudamos a terra e...
a aproveitemos para subir...

Quantas vezes nos deparamos com problemas que parecem insolúveis? Muitos desistem e entregam os pontos, aceitando a derrota passivamente. Não é isso que Deus espera de nós, pois a fé remove montanhas de problemas. Também já me vi soterrando, mas mantive a luz da minha fé acesa, aceitando a provação, entretanto, estava consciente de que o resgate divino viria mais cedo ou mais tarde.

Numa época como esta em que a descrença prevalece, muitos se desesperam diante de conflitos, desempregos e todo tipo de tortura interior (opressões) que o rei da maldade lança sobre as pessoas. O diabo existe e anda por essa Terra prejudicando as pessoas. Na oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus, está escrito: "não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. (...) ( Mateus 6:13).

O demônio é tão sagaz que ousou tentar até Jesus, por ocasião dos quarenta dias e quarenta noites que Ele passou no deserto em jejum e oração. "Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei, se prostrado, me adorares". (Mateus 4:8).

Se o demo não poupou nem ao próprio Senhor, que dirá a nós, meros mortais. Logo, neste mundo passamos por tribulações, porém o importante é não desistir de nada, não desanimar, tendo em mente que Deus é o único que pode restaurar tudo o que perdemos.

Se acomodar é se enterrar vivo, é entregar os pontos diante das adversidades. Não importa o tamanho de nossos problemas, o que importa é saber que Deus é infinitamente maior do que eles. O importante é não perder a fé, ainda que estejamos como o cavalo da fábula, sentindo-nos soterrados, aos poucos.

Antes, pisaremos sobre esses problemas porque depois cantaremos como o salmista Davi: 

"Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR” (Salmo 40:1-3). 

Essa já foi a minha situação, mas superei porque soube esperar e confiar no Senhor, por isso posso agradecer e dizer: ‘’Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; porquanto tu foste o meu alto refúgio, e proteção no dia da minha angústia. A ti, ó fortaleza minha, cantarei salmos; porque Deus é a minha defesa e o Deus da minha misericórdia.’’ – (Salmos 59:16-17).

Lindo domingo a todos. Obrigada Senhor!!!



segunda-feira, 21 de julho de 2014

Desejo:


Que neste fim de tarde,
nada tire a tua calma
nada aborreça tua alma.
Segue em frente destemido,
com Jesus que é teu amigo.
Não permitas que os outros
roubem tua esperança,
segue, igual uma criança
que cheia de confiança
para o futuro avança.
Seguindo sempre na fé,
fazendo tua oração,
verás contente os milagres
que em tua vida virão.
Na serenidade da hora,
oro por ti agora,
e isso a Deus pedi:
que nesta  longa jornada,
possas ser muito feliz.

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Para que Pressa?



Finalmente encontrei um tempo para entrar  aqui. O tempo tem sido pouco para resolver tantos problemas, mas sigo sem pressa, sem estresse e na paciência vou solucionando tudo, assim como a bananeira levou praticamente um ano para crescer e dar o seu primeiro cacho. 

Essa imagem foi feita agora à noite quando cheguei, podemos ver que as bananas estão amadurecendo rapidamente e eu pedi para amarrarem o cacho no tronco do abacateiro. São bananas enormes e grandes e eu tenho que começar a doá-las, antes que amadureçam demais.

Toda espera é sempre demorada, ainda mais se a pessoa for ansiosa, nesse caso, o melhor é aprender a ser paciente porque há situações que não podemos apressar as coisas, mas sim deixá-las que o tempo se responsabilize de resolver o que não cabe a nós.

Hoje, entrei numa farmácia para ir ao caixa eletrônico e tinha pressa, porém vi uns produtos que me interessaram, escolhi o que queria e fui para a fila. Então havia uma senhora idosa que estava na minha frente, calmamente, ela olhou para mim e disse gentilmente: "você chegou primeiro que eu, passe na minha frente". 

Sorri e respondi apesar de estar com uma enorme pressa: "a senhora é prioridade, portanto, não tem problema para mim, esperar mais um pouco". Com a sabedoria de quem já viveu muito, ela começou a explicar que os jovens são por demais ansiosos, não sabem esperar, querem tudo na hora e é justamente essa ansiedade que traz consequências graves para a saúde no futuro.

Ai chegou a vez de ela ser atendida. Eu fiquei aguardando a minha vez e quando ela fez o que precisava, chegou perto de mim e eu cantava uma canção em tom baixo: "sou feliz com Jesus, sou feliz com Jesus, meu Senhor". Ela sorriu e disse: "eu também tenho sido muito feliz com Ele. E se foi.

Assim chegou a minha vez, retirei o que precisava, não perguntei o nome da senhora, nem ela o meu, sei que o que tenho aprendido sobre comportamento tem me ajudado muito a não entrar nessa de ansiedade mas sim ir procurando resolver tudo sem afobação, acreditando sempre que se na minha estrada existem espinhos, Deus vai afastando-os para que eu passe em segurança. 

Boa noite, paz e bem.



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